sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Último Voo do Flamingo

O Último Voo do Flamingo, de Mia Couto, relata a passagem de um inspetor das Nações Unidas, de origem italiana, pela vila de Tizangara, em Moçambique. A história é contada de acordo com os depoimentos e confissões presenciadas pelo “Tradutor de Tizangara”. O narrador nos conta que, certo tempo depois de “findada” a guerra em seu país, alguns soldados da onu explodiram. “Simplesmente, começaram a explodir. Hoje, um. Amanhã, mais outro. Até somarem, todos descontados, a quantia de cinco falecidos.

O ultimo vôo do flamingo: Publicacao da obra

                   O utilmo vôo do flamingo é da editora Mia Couto , o livro relata a passagem das nacões unidas , de origem italiana , pela vila tizangara , em Moçambique que vivia em momentos de reestruração social e politica.Esse romance ele retratar o livro de forma de uma critica em guerra , ironia e humorada . E uma obrar que pulsar uma grande força humanista depois da guerra da independecia .
                  A obra é  abordagem do periodo pós-guerra civil no pais sobre os tempos em que estiveram em moçambique que os soldados da ONU que veio com a missao de manutenção de paz.
                 A epóca do livro seria entre 1992 e 1994 , quando o exército da ONU entra em Moçambique para acabar com as guerras civis constantes , inclusive entre os dois principais politicos Frelimo e Renamo ,e estabelecer a paz o liro tem um caráter extremamente liberais mas com fundo politico
                Tudo comeca um misterio: Os militantes da ONU estão explodindo , só sobrando o pénis e o capacete azul, no trama aparecem diversos personagens como a investigação da ONU . maximo Rezi , um Italiano , para quem no filme as personagem vai servir de tradutor e prostituta da cidade Ana deusqueira , trazendo humor irônico e debochado das autorizadas de tizangara cidade.

              
                

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O último vôo do flamingo

Comentário  sobre a Obra  :

       - É  um  romance escrito por Mia   Couto , é uma obra em que pulsa uma grande força humanista: depois da guerra de Independência e dos anos de guerrilha, Moçambique vive um momento de reestruturação social e política  ,  o livro  aborda sobre o período pós-guerra civil no país, uma ficção sobre os tempos em que estiveram em Moçambique soldados da ONU integrados na missão de manutenção de paz. O romance narra estranhos acontecimentos de uma pequena vila imaginária, Tizangara, ao sul do país.

   Trecho :

"Há aqueles que nascem com defeito. Eu nasci por defeito. Explico: no meu parto não me extraíram todo, por inteiro. Parte de mim ficou lá, grudada nas entranhas de minha mãe. Tanto isso aconteceu que ela não me alcançava ver: olhava e não me enxergava. Essa parte de mim que estava nela me roubava de sua visão. Ela não se conformava:
- Sou cega de si, mas hei-de encontrar modos de lhe ver!
A vida é assim: peixe vivo, mas só vive no correr da água. Quem quer prender esse peixe tem que o matar. Só assim o possui em mão. Falo de tempo, falo de água. Os filhos se parecem com água andante, o irrecuperável curso do tempo. Um rio tem data de nascimento?"

       Para falar de uma vila onde “acontecimento era coisa que nunca sucedia”, e que só “os factos são sobrenaturais”, Mia Couto parece tomado por um encantamento pela linguagem. Ele mistura num as culturas tradicionais africanas e a cultura ocidental, o português “colonizador” com as variantes dialetais da população moçambicana , há um glossário no final do livro e também  o uso de desconstrução de provérbios e ditos populares .
        



O Último vôo do Flamingo

comentário  sobre  a personagem  -  Ana Deusqueira:

A  Ana  Deusqueira   era uma prostituta bastante conhecida na vila , ela foi chamada porquê  tinha um pênis  no meio da vila , por ser bastante conhecida pelos Homens  , á chamaram para que ela identificasse  de quem seria o pênis que alí se encontrava  e que deixou todos da vila curioso para saber de quem seria .
    Chegando lá e olhando para o pênis , Ana Deusqueira  disse que pelo volume não era de alguem que morasse na vila , pois disse ela que  nunca tinha visto um pênis tão imenso como aquele  que estava  no meio da vila .

    

Critica

O livro O ultimo vôo do flamingo é uma obra que aborda o período de uma guerra civil. Depois da guerra, Moçambique começou a viver um momento de reconstrução social e política. O livro começa com o encontro de um pênis do soldado das nações unidas que foi explodido, no qual só essa parte do corpo foi a que sobrou, por causa desse episodio inicia-se um investigação para descobrir o que a por trás desse mistério de corpos de soldados que começaram a  explodir subitamente em uma vila, esse mistério se dar por toda a historia do livro.
A obra de Mia Couto direciona o olhar para Moçambique e como ela prosseguiu depois da guerra e a sua independência.

Erica Larissa

teimosa presença

TEIMOSA PRESENÇA
Eu continuo acreditando na luta
Não abro mão do meu falar onde quero
Não me calo ao insulto de ninguém
 Eu sou um ser, uma pessoa como todos.
Não sou um bicho, um caso raro ou coisa estranha
Sou a resposta, a controvérsia, a dedução
A porta aberta onde entram discussões
Sou a serpente venenosa: bote pronto
Eu sou a luta, sou a fala, o bate-pronto
Eu sou o chute na canela do safado
Eu sou um negro pelas ruas do país.

Obs: que o negro escravo acredita na sua liberdade e segue na luta. Quando ele se fala : “Eu sou o chute na canela do safado” parece que ele fala do descriminalizador ,
Além disso, o (sub) mundo ocupado pelo negro são “as ruas do país” - aliás país erguido com a disposição compulsória de braços e ventres africanos

Resumo, opinião sobre o livro


O Último Voo do Flamingo mistura a fantasia com a realidade, incluindo diversos elementos da cultura de Moçambique, ditos e lendas, junto com personagens que ironizam a situação, ao lado de um estrangeiro que tenta entender tudo que se passa pela cidade de Tizangara (cidade fictícia). O autor Mia Couto, utiliza-se de várias palavras provindas de Moçambique, dando ao leitor mais um motivo para ficar imerso nesse livro.
O contexto do livro é pós-guerra de independência, onde são mandados alguns soldados da ONU para ‘manter a paz’; quando cinco deles explodem (situação ironizada por Ana Deusqueira, visto que milhares de pessoas morreram na guerra, e agora com a morte de apenas cinco pessoas, cria-se um estardalhaço), a ONU envia Massimo Risi para descobrir a causa dessas explosões, junto a um tradutor, que relata esta história.
Esse livro chamou minha atenção logo em seu prefácio, mais precisamente no segundo parágrafo deste, onde o Tradutor de Tizangara transcreve um pouco da sua opinião sobre os acontecimentos:
“Estávamos nos primeiros anos do pós-guerra e tudo parecia correr bem, contrariando as gerais expectativas de que as violências não iriam nunca parar. Já tinham chegado os soldados das Nações Unidas que vinham vigiar o processo de paz. Chegaram com a insolência de qualquer militar. Eles, coitados, acreditavam ser donos de fronteiras, capazes de fabricar concórdias.”
Em conclusão, O Último Voo do Flamingo mostra-se misterioso e envolvente do começo ao fim, sem perder seu lado crítico e com engajamento político; recomendo a leitura deste para todos que gostam de literatura contemporânea, e humor satírico de qualidade. 

Resumo

O último vôo do flamingo, quarto livro de mia couto tem como objetivo retratar de forma irónica, uma crítica a guerra que por fim deixou os moçambicanos prejudicados.Numa vila chamada Tizangara, numa época de fim de guerra, ONU manda soldados para moçambique com objetivo de ´´manter a paz``, porém estes soldados começam a explodir sem mais nem menos, então eles mandam um oficial italiano da ONU para investigar as mortes, no decorrer ele é enganado pelo povo do vilarejo e seduzido pela prostituta Ana Deusqueira.

As quentes de Tizangara .

As quentes de Tizangara  .
No ultimo vôo do flamingo prevalece em todo livro o mistério de quem era o pênis “perdido” e como foi parar no meio da rua . como mostra no trecho :
“Nu e cru, eis o fato:apareceu um pênis decepado, em plena Estrada Nacional,á entrada da vila de Tizangara.Era um sexo avulso e avultado.Os habitantes relampejaram – se em face do achado.Vieram todos, de todo lado. Uma roda de gente se engordou em redor da coisa...”
O pênis era de um soldado da ONU que estava em  missão de paz – Verdadeiramente, o eu – lírico do livro faz uma irônia a essa missão de paz , pois Moçambique estava em um pós-guerra e durante a guerra a ONU não mandou reforços e quando acabou a guerra enviou eles em uma missão para “manter a paz” , super irônico – e com essa ocasião contabilizava 6 mortos . Sabiam que era do soldado da ONU pelo capacete em cima da Arvore. Como mostra no trecho :
“... Era um desses bonés dos soldados das Nações Unidas.Pendurado num galho,balançava na vontade das brisas.No instante que se confirmou a identidade da boina foi como navalha golpeando a murmuração.E logo-logo a multidão se irresponsabilizou.Não valia a pena empernar na confusão.E a gente se dispersou,imediata,comentando que nada acontecera,até admiravam tanto o que nunca haviam visto...”
E a confirmação veio mais ainda depois do dito de Ana Deusqueira :
“ Essa coisa,como o senhor policia chama, essa coisa não pertence a nenhum dos homens daqui...”
Mais como os soldados foram mortos?                                                                                         Assaltantes  roubaram eles, cortaram e deixaram só o pênis?  Ou  foram mortos por canibais ?
Contudo, todas as perguntas digamos “possíveis” ficam sem resposta com o real acontecimento. Os soldados da ONU morreram porque ficavam tão quentes que chegaram a explodir ao tocar,ficar com a mulher Moçambicana , porque elas são tão quentes que esquenta o homem ao tocar nela .

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Trailer do Filme


Por Caroline Galvão

Um pouco mais sobre os personagens

Narrador-personagem: Por falar varias línguas é designado como tradutor oficial  pelo administrador de Tizangara, quando chega a delegação para investigar a  explosão dos soldados da ONU.

Suplício: Pai do narrador-personagem, abandona a família da qual sente saudade depois

Mãe do narrador-personagem: Segundo o narrador, sua mãe fica estéril após o seu nascimento.

Estêvão Jonas: Administrador da vila, participou da guerrilha contra o domínio português em Moçambique.

Dona Esmerlinda: Esposa de Estêvão Jonas, esnobe, trava o povo com indiferença e adora os poderes e as riquezas.

Jonassane: Filho de Ermelinda, segundo padre Muhando, é assassino e traficante.

Chupanga: Homem mucoso, subserviente e arrogante com os pequenos.

 Massimo Risi: O italiano que chega com delegação da ONU para ficar em Tizangara e investigar as explosões dos Soldados.

Padre Muhando: É um padre polêmico, chama o feitiçeiro de "colega" e insulta Deus, quando ele se descomporta.

Zeca Andorinho: O mais poderoso  feiticeiro da cidade que assume e  ter preparados dois feitiços : o que fazia explodir os soldados ( a pedidos dos homens locais ) e o outro para proteger Massimo ( a pedido de uma mulher.)

Ana Deusqueira: A Prostituta da vila, que tenta descobrir o mistério do pênis.

Temporina: A mulher que Massimo Risi encontra pela primeira vez no corredor da pensão. tem corpo de moça e rosto de velha.

Dona Hortênsia: Falecida, Tia dede Temporina, vive pelos quartos da pensão  de várias formas visitando os vivo.

Irmão de Temporina: Mais novo que a irmã, era um rapaz magro, acomodado, lento e tonto, com atraso tanto na mente quanto nos gestos.

Recepcionista da pensão: Revela a intenção do irmão de Temporina de matar Massimo.

O ministro: Preocupado tambem com as explosões , após gravar declaração de Ana Deusqueira, contenta-se com a versão da prostituta e decide retirar-se da capital.

Por Caroline Galvão

UM SEXO AVULTADO E AVULSO

   "Os amados fazem-se lembrar pela lágrima. Os esquecidos fazem-se lembrar pelo sangue."  Dito de Tizangara

Em O último vôo do Flamingo, romance de Mia Couto, prevalece até mesmo no titulo a ortografia vigente em Moçambique.
A Capa do livro representa o fim da tarde (Os flamingos empurrando o sol para chegar a algum lugar).
A história se passa em uma vila chamada Tizangara. Alguns soldados da ONU são mandados para Moçambique para manter a paz.
O mistério começa quando logo no inicio é achado um pênis decepado e um capacete em cima de uma arvore. E ai começam a desaparecer soldados simultaneamente sem explicação. Massimo Risi, Um delegado Italiano, é enviado para descobrir a causa das explosões, e é ai que entra na historia Ana Deusqueira, Prostituta, que pelo fato de já ter ido pra cama com toda a vila, poderia comprovar se era uma pessoa da vila ou um estrangeiro através do pênis.
O narrador da história é o tradutor do delegado, O livro é uma critica aos semeadores da guerra.
O Ultimo vôo do Flamingo é um bom livro para se ler, pois além de manter todo o mistério durante a história não nos deixa entediar-se, com falas e trechos irônicos e até mesmo de humor e entretenimento.

Por: Thais Cristina Viana dos Santos

Desfecho do Livro

O livro traz mistura entre a verdade e ficção; tendo como verdade o que tem acontecido em algumas vilas moçambicanas e em outros lugares: destruição, abuso do poder dos chefes, superstição, desconhecimento de alguma tecnologia avançada.E no seu estilo Mia couto prende o leitor até ao desfecho do romance , que é relatado á noite, o narrador, sem ser visto segue o pai até  a margem do Rio Madzima, lugar sagrado, para presenciar o pai pendurando os próprios ossos na árvore. Os três dormiam no relento, quando o narrador acordou e deparou-se com um enorme abismo jamais visto e que fez sumir tudo:

"Árvore: nem sombra, nem sombra. Os ossos tinham-se ido no vazio. Como a inteira paisagem, a casa, a vila, a estrada, tudo engolido pelo vácuo. Que se passara ? Um homem faz um grande buraco, sim. Muitos homens fazem um buraco muito enorme. Uma cova daquela dimensão, porém , aquilo era obra da sobrenatureza.

Chamamos o italiano que se inacreditou: o país inteiro desaparecera? Sim, a nação fora engolida nesse vácuo. Face a última berma do mundo, perante a maior fenda que ele ja mais vira, Massimo Risi se boquiabria - Os meus relatórios ?!?! Onde estão os meus files ?"


O Velho e Zeca Andorinho já tinham pressentido o fato, ja que tinha sido avisados pelos espíritos que aquilo iria acontecer e foi contra os governantes ambiciosos e corruptos em terras africanas.
Massimo estava preocupado com os relatórios porque sem isso não teria como relatar para seus superiores o desaparecimento de um pais inteiro.




Por Caroline Galvão


O livro o Último vôo do Flamingo se passa em um período de pós- guerra onde foram enviados para Moçambique soldados da ONU pra que cuidasse da paz de Tinzangara que era uma vila imaginária.
Onde o livro começa com um fato onde aparece o pênis e um capacete azul na Rua de Tinzagara. O livro já começa com um mistério onde soldados da ONU começam a explodir de repente. Um oficial chamado Massimo Rissi é indicado para investigar o mistério o livro é contado por um italiano que narra a história. E personagens como Ana Deusqueira que é uma prostituta que foi chamada para descobrir de quem seria o órgão masculino encontrado na Rua de Tinzangara pois conhecia muitos.
A mesma faz diversas críticas irônicas das autoridades de Tinzangara. Outra personagem é a Temporina que é uma velha moça que após a sua tia morrer vira uma louva- Deus e vários outros personagens que tiveram uma enorme importância pra o livro o Estevão (Administrador), Ermerlinda esposa de Estevão, Padre Muhando, Andorinho (Feiticeiro)...
Enfim Mia Couto foi muito cauteloso ao criar um suspense durante todo o livro prendendo o leitor até o desfecho para descobrirmos a causa das explosões dos soldados.

Gostei sim, pois é um livro que mistura verdade com ficção e conhecendo assim um pouco da literatura africana.

Por: Luana Silva.


O ultimo Vôo do Flamingo .


O último voo do flamingo
"Não basta ter um sonho. Eu quero ser um sonho . "
Palavras de Ana Deusqueira .
"Os factos só são verdadeiros depois de serem inventados . "
Crença de Tizangara .
"Os amados fazem-se lembrar pela lágrima .
Os esquecidos fazem-se lembrar pelo sangue . "
Dito de Tizangara .
"As ruínas de uma nação começam no lar do pequeno cadadão . "
Provérbio africano .

Sobre o Flamingo :
Ele é uma ave petencente a familia PHOENICOPTERIDAE da ordem CICOONIIIFORMES. O nome cientifio dessa ave vem de PHOEMIX , ou FÊNIX , é um passaro da mitologia grega que quando morria entrava em auto combustao e com o tempo renascia das proprias cizas .
A vida longa da fenix e o seu dramatico renascimento das proprias cizas se transfomou no simbolo da imortalidade e do renascimento espiritual.
Morre em chamas toda tarde e nasce a cada manhã . ( Por isso a capa do livro o flamindo empurando o dia e trazendo a noite , o paralelo com o sol , que morre todos os fins de tarde no horizonte para renascer no proximo dia , se tornando o eterno simbolo da morte e do renascimento da natureza ).
Ele simboliza a esperança e a continuação da vida apos a morte em toda a mitologia ele é a esperança que nunca tem fim .
O texto :
Apos a guerra civil , depois da morte de varios moçambicanos ,a vila de Tizangara esta cercada por um misteri , corpos de soldados estrangeiros integrantes da força de paz da Onu começam de repente a explodir. Um oficial das nacoes unidas (o italiano Massimo Risi )que nao se preocupou com varios outros estrangeiros o a guerra o o povo tinha vivido é escalado para investigar o caso , logo depois que aparese um penis na estrada , essa foi a parte que mais me chamou atençao . Tudo quase tudo alis é contado pelo tradutor , apenas conhecido como o tradutor de Tizangara , um moçambicano sem nome , destacado pelos poderes oficiais da vila , para acompanhar o italiano , e esse moçambicano foi o narrador da obra de Mia Couto , "O último voo do flamingo" é o seu 4 romance .

As Revelações


Nesse capitulo, o Italiano sai cedo com Temporina, para ir ao rio se despedir do padre Muhando e o tradutor vai à casa de Estêvão Jonas para avisar que o delegado da ONU se preparava para ir embora. Mas quando ele chega, ele vê uma confusão.  Estêvão Jonas, Chupanga e Ana Deusqueira, mas ninguém reparou  a presença dele. Estêvão Jonas estava segurando Ana Deusqueira por um braço,  empurrava ela contra a parede e a xingava, culpando-a pelas mortes dos soldados. Quando o rosto dela estava sangrando, o tradutor deixou-se ver, pensando em parar a violência para com a prostituta. Quando o administrador o vê, apronta-se em manda-lo sair, porém Ana Deusqueira revela que ele é o culpado pelas mortes dos soldados.
“ - És tu que estás a matar pessoas. És tu, Estêvão Jonas.”
Com isso, conclui-se o que estava acontecendo, o motivo de tantas explosões e tantas mortes: “Passava-se, afinal, o seguinte: parte das minas que se retiravam regressava, depois, ao mesmo chão. (...) No final da guerra restavam minas, sim. Umas tantas. Todavia, não era coisa que fizesse prolongar tanto os projetos de desminagem. O dinheiro desviado desses projetos era uma fonte de receita que os senhores locais não podiam dispensar. Foi o enteado do administrador quem urdiu a ideia: e se aldrabassem os números, inventassem infindáveis ameaças? Valia a pena. Plantavam-se e desplantavam-se minas. Umas mortes à mistura até calhavam, para dar mais crédito ao plano. Mas era gente anônima, no interior de uma nação africana que mal sustenta seu nome no mundo. Quem se ocuparia disso? "

Nesse trecho do livro, Mia Couto fala sobre as mortes que estavam acontecendo em Tizangara. Por serem pessoas de uma nação pobre, e africana não trariam repercussão nenhuma as suas mortes, poderiam morrer quantos fossem, a ONU não mandaria investigar e não daria importância a isso, como no inicio do livro, onde Ana Deusqueira ironiza sobre a ONU, que na época da guerra nunca mandou soldados para pacificar, mas quando a guerra acabou, enviou soldados para "manter a paz".
As mortes dos “capacetes azuis”, que eram os soldados da ONU prejudicou a trapaça, atraíram para Tizangara atenções indevidas. “A verdade das minas pedia provas de sangue. Mas sangue nacional. Nada de hemorragias transfronteiriças. Perante o transbordar do escândalo, o administrador chamou o feiticeiro e deu ordem para que aquilo terminasse de imediato. Mais nenhum soldado da ONU poderia desaparecer.”

As Minas



No decorrer de todo o livro, o que mais me chamou atenção foram as minas.  Massimo Risi, veio da Itália com a missão de descobrir o culpado pelas explosões dos cinco soldados da ONU, para conseguir uma promoção que esperava há muito tempo. De ínicio, se achava que os soldados se explodiam do nada, ou que a temperatura das mulheres Moçambicanas era tão quente, que os homens explodiam quando as tocavam, mas quando o livro se desenvolve, fica claro que as explosões se dão pelas minas. No capitulo 16, o administrador suspeita de que o padre Muhando colocava as minas, mas vendo que ele não era capaz de colocar minas, levanta suspeita contra Ana Deusqueira, mulher a quem mostra aversão: “Ela é uma má-vidista, mulher de pronto-pagamento, cujo corpo já foi patrocinado pelo público masculino em geral. Mesmo sobre a minha vida essa cuja Ana já espalhou confusão, criando tristes dicências sobre a minha digna conduta. (...) Qual o propositado objetivo dessa Ana? Para mim é vingança. Não esqueçamos que ela foi presa e transferida para um campo de reeducação aquando da Operação Produção. Ou pode ser um caso comigo, envolvimento mal resolvido. Desses: amor com amor se apaga.”

                                                #

 “Estou quase terminando. Só adianto um aviso: quando caminhar olhe bem onde pisa. Eu lhe fiz o likaho de cágado para lhe proteger. Mas você nunca, mas nunca, pise qualquer maneira. A terra tem seus caminhos secretos. Está-me dar entendimento? O senhor lê o livro, eu leio o chão.”
Nessa fala a Massimo Risi, o feiticeiro diz-lhe para tomar cuidado, andar olhando para o chão, pois no chão ficavam as minas, e se ele não lesse o chão, poderia pisar em uma, e acabaria explodindo. 

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Moçambique por o último vôo do flamingo

A literatura por Mia Couto



terça-feira, 25 de outubro de 2011

O ultimo voo do flamengo Mia couto

O ultimo voo do flamengo romance de Mia couto uma obra escrita depois da guerra de Independência e dos anos de guerrilha, onde Moçambique vivia um momento de reestruturação social e política.
Uma ficção sobre os tempos em que estiveram em Moçambique soldados da ONU integrados na missão de manutenção de paz. O romance narra estranhos acontecimentos de uma pequena vila imaginária, Tizangara, ao sul do país.
"Há aqueles que nascem com defeito. Eu nasci por defeito. Explico: no meu parto não me extraíram todo, por inteiro. Parte de mim ficou lá, grudada nas entranhas de minha mãe. Tanto isso aconteceu que ela não me alcançava ver: olhava e não me enxergava. Essa parte de mim que estava nela me roubava de sua visão. Ela não se conformava:
- Sou cega de si, mas hei-de encontrar modos de lhe ver!
A vida é assim: peixe vivo, mas só vive no correr da água. Quem quer prender esse peixe tem que o matar. Só assim o possui em mão. Falo de tempo, falo de água. Os filhos se parecem com água andante, o irrecuperável curso do tempo. Um rio tem data de nascimento?"
Para falar de uma vila onde “acontecimento era coisa que nunca sucedia”, e que só “os factos são sobrenaturais”, Mia Couto parece tomado por um encantamento pela linguagem.
O que me chamou muito atenção foi que na obra predomina muitas das vezes pelo menos 3 fatores o sarcasmo, às vezes o espírito crítico, outras vezes ambos.
Quando, por exemplo, um pênis decepado é achado, chamam a prostituta Ana Deusqueira para “identificar o todo pela parte”.

Resumo do livro

      O último voo do flamingo é uma obra fictícia de Mia Couto,onde é retratada a Vila de Tizangara(em Moçambique) logo após a Guerra de Independência.
      Um integrante da ONU chega na Vila,recebido por um tradutor africano,para investigar a explosão de soldados das Nações Unidas.Ao explodirem,o que restam desses soldados são os seus órgãos genitais e suas boinas azuis.
      Para descobrir a causa dessas explosões,o integrante da ONU e o seu tradutor,terão de se envolver fortemente ao modo de vida existente em Tizangara.Eles terão que participar da rotina existente alí,além de se contagiarem com as histórias dos habtantes.
      Esse é um livro polêmico,onde é tratada a situaçã política e a vida dos habitantes da Vila.
Postado por:Uriel

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Opiniões voadoras .

A parte que mais me chamou atenção, foi quando depois de tudo pronto para a chegada dos observadores internacionais para verificar a respeito do ‘’pênis’’ na estrada .
Quando eles estavam já para receber os observadores, aparece um cabrito, que é atropelado pelo carro oficial e esse animal é lançando para longe, mais continua vivo e sofrendo de dor e fazendo muito barulho com berros,atrapalhando a conversa com os donos do poder de Tizangara e os convidados .
Percebe-se a grande ironia nesse acontecimento, já que a os donos do poder tentam de todos os jeitos parecer que são organizados e modernizados com seus convidados ,os berros do cabrito são o único ponto verdadeiro nessa cena.levando a quem está lendo a pensar que as verdades sobre os donos do poder estava ali descrito: um lugar atrasado,corrupto e decidido a esconder a sua verdadeira face .

domingo, 23 de outubro de 2011

''Em plena Estrada Nacional''

O livro “o ultimo voo do flamingo” escrito por Mia Couto retrata de forma irônica e humorada uma história renovadora que se passa numa vila chamada Tizangara.
Logo no inicio do livro os leitores são surpreendidos com o seguinte trecho:
"Nu e cru,eis o facto:apareceu um pénis decepado,em plena Estradra Nacional,á entrada da vila Tizangara".
Pode-se perceber pelo trecho que Tizangara estava passando por um momento fora do comum.As pessoas acompanharam esse acontecimento de perto e começaram a fazer uma roda ,todos com muita curiosidade para saber o que estava acontecendo,por que não era de costume algo como isso acontecer em Tizangara.
Ao decorrer do livro os episódios misteriosos vão se encontrando e os embaraços e situações difíceis se resolvendo.
Podem-se destacar também momentos de críticas e um simples ato de rebeldia: Quando uma das personagens do livro chamada de "Ana Deusqueira''uma prostituta que foi convocada para dizer de quem era o órgão jogado na estrada, pois ela era a"mais conhecedora dos machos locais''.Aproveitando ela esse momento que a chamaram ela  se expresso da seguinte maneira:
''Morreram milhares de moçambicanos, nunca vos vimos cá. Agora, desapareceram cinco estrangeiros e já e o fim do mundo"
A prostituta foi bem clara em seus dizeres o que em outras palavras esclarece também o que acontece até hoje, a sociedade  favoreci totalmente a pessoas ricas, muitas das vezes de países desenvolvidos, que falam diversas línguas e aquelas pessoas que trabalham todos os dias ganham mal é quem fica á margem da sociedade sois vistas apenas como uma "gentalha” que não merecem o mínimo de respeito e consideração.
Em sua maioria passam fome, moram em baixo de pontes em ruas, não tem oportunidade de bons empregos é escravizada pelo patrão, não tem bons estudos e acabam sendo obrigados a entrar no mundo vicioso de drogas e bebidas alcoólicas que levam a nada.
Os estrangeiros consideravam Tizangara um nada e ficaram aborrecidos pela forma em que os saldados desapareceram em um trecho retrata o preconceito e determinismo em relação à região Africana:
''despoirados no meio das Áfricas, que é como quem não dizer, no meio de nada".
Justamente em uma época após a independência de Moçambique no continente Africano, este livro  foi escrito, com principal interesse de dizer aos moçambicanos que em meio a todas as lutas que passaram para sobreviver, que em meio aos preconceitos, misérias, doenças, perdas de alguns familiares em guerras e grandes turbulências eles estão convictos que tudo irá dar certo e como sempre a população de baixa reda que é as verdadeiras vítimas iria dar a volta por cima renovonda assim tudo o que foi destruído e que eles seriam restituídos.

sábado, 22 de outubro de 2011

O ver do leitor na obra.

 O livro conta a história de uma vila chamada Zangara que está localizada em Moçambique, que passa por um momento pós guerra e fatos estranhos estão acotecendo na vila.
  Nas primeiras páginas do livro o leitor se depara com uma icognita, de quem seria o pênis encontrado no meio da vila, o questionamento toma conta de toda vila ate que o imperador da vila manda chamar a prostituta da vila, Ana Deusqueira, diz que aquele pênis não é de nenhum homem da vila,e o estrangeiro  a pergunta de quem seria e ela responde que poderia ser um desses casos de explosões , mas o estrangeiro relata que não pode levar essas informações para a Onu, Ana Deusqueira , aproveita o momento e faz uma critica: " Milhares morreram em nossas guerra, mas quando morre 5 soldados eles se preocupam''.
  No decorrer do livro os deparamos com fatos que fogem da realidade, durante a investigação Massimo Risi é acompanhado por um morador da Vila que é o principal narrador da história que mostra para o Italiano as curiosidades de Moçambique, o italiano chega em moçambique sem acreditar no fato das explosões dos soldados mas durante a história ele começa a acreditar logo na sua primeira viagem com o tradutor, o mesmo conta a história da sua falecida mãe, que todos os dias a tarde cantava para que os flamingos voassem e levassem o Sol para o outro lado do mundo, logo apos o Italiano se apaixona por uma louca, que leva uma maldição da sua tia todas as noites o Italiano tem relações sexuais com a almadiçoada mas não sem lembra nada na manhã seguinte.
      Durante a procura o Italiano descobre que a explosões dos soldados, cabeças azuis, deve-se as mulheres de moçambique que são quentes.
  De modo geral o livro faz diversas criticas a Onu, pois so se preocuparam com a vila após a morte dos poucos soldados. Há uma ocilação do mundo dos mortos e do mundo dos vivos e ocilam tambem a realidade e a ficção, o livro tenta ser realista mas tambem não deixa de ser uma obra fantasiosa, outra caracteristica é que o livro é que o narrador é conteporanio,ou seja, não da voz apenas um personagem, afinal sempre pode haver mais de uma visão no livro, Mia couto apesar de ser de Moçambique faz sua critica em português para que possa alcançar muitas pessoas.
                           Por: Rebeca LorenaValença Gomes.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Temporina e seus mistérios ...

A velha - moça temporina e sua família - a querida tia Hortênsia que depois de morta vira um louva – Deus e parece ser cheia de poderes -  é cercada de mistérios há medida que o livro vai acontecendo. Temporina foi amaldiçoada com o rosto de velha pois ela não se envolveu com homem algum. Ao longo da trama o italiano Massimo Risi tem sonhos quentes com a garota que ao mesmo tempo é pratica “em sonho”, como  mostra no trecho abaixo :

“... O italiano,cansado, nem se sentiu adormecer.Nessa noite, um estranho sonho tomou conta dele: a velha do corredor entrava no quarto, se despia revelando as mais apetitosas carnes  que ele jamais presenciara.No sonho, o italiano fez amor com ela.Massimo risi nunca tinha experimentado tão gostosas carícias.Ele rodou e rerodou nos lençóis,gemendo alto, esfregando – se na almofada.Se era pesadelo,ele muito se divertia ...”
Essa história de Temporina é engraçada pois traz uma história mística, e principalmente quem não tá adaptado com esse tipo de história da cultura moçambicana se fascina e imagina muitas coisas com tais acontecimentos .

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Ultimo Vôo do Flamingo: Publicação da Obra

Para fazer a publicação do livro O último vôo do Flamingo, a editora optou por manter, inclusive no título, a ortografia vigente em Moçambique. É uma obra em que pulsa uma grande força humanista: depois da guerra de Independência e dos anos de guerrilha, Moçambique vive um momento de reestruturação social e política.

A obra é abordagem sobre o período pós-guerra civil no país, uma ficção sobre os tempos em que estiveram em Moçambique soldados da ONU integrados na missão de manutenção de paz. O romance narra estranhos acontecimentos de uma pequena vila imaginária, Tizangara, ao sul do país. 

O livro começa com um fato insólito: um pênis é encontrado no meio da Rua de Tizangara. Mais um soldado das Nações Unidas havia explodido e aquilo era a única coisa que restara dele.·.

O Ultimo Vôo do Flamingo: Contexto da Obra


A vila está cercada por um mistério: corpos de soldados estrangeiros que começam, subitamente, a explodir. Um oficial das Nações Unidas, o italiano Massimo Risi, é destacado para investigar o caso. Tudo é contado pelo tradutor destacado pelos poderes oficiais da vila para acompanhar o italiano. Bem, quase tudo. À medida que os fatos se sucedem, outras vozes ganham espaço no texto, deslocando-se o foco narrativo para outros personagens: Massimo Risi, Estêvão Jonas - o administrador da vila -, a velha-moça Temporina, a prostituta Ana Deusqueira, o feiticeiro Zeca Andorinho e o velho Sulplício, o pai do narrador. Eles apresentam suas versões dos fatos, ou contam sonhos ou lembranças essenciais para a compreensão dos fatos – vôos sobre o tempo dos acontecimentos e o tempo da memória.

O mistério adensa-se. Os soldados da paz morreram ou foram mortos? Os outros personagens, dona Ermelinda (a “administratriz”), Chupanga (o adjunto do administrador) e padre Muhando completam a atmosfera de Tizungara, envolta em verdade e ficção, realidade e magia, natureza e sobrenatural, o mundo dos vivos e o mundo dos mortos; e um presente que balança entre a força dos antepassados e a ausência de futuro.

A Sabedoria de Mia Couto:


Com toda a sabedoria da velha África, Mia Couto revela-nos, uma vez mais - na ironia, no sentido de humor, no espírito crítico, na palavra cáustica e no comentário acerado, no recurso à metáfora e na carga cheia de simbolismo da frase -, o seu absoluto domínio da escrita e da língua portuguesas, o conhecimento e o amor profundos que tem e dedica a esse belíssimo e atormentado continente, neste novo romance, O Último Voo do Flamingo.

O autor sabe como ninguém manejar seu discurso literário ora fantástico, ora poético, ora divertido e irônico:

"Há aqueles que nascem com defeito. Eu nasci por defeito. Explico: no meu parto não me extraíram todo, por inteiro. Parte de mim ficou lá, grudada nas entranhas de minha mãe. Tanto isso aconteceu que ela não me alcançava ver: olhava e não me enxergava. Essa parte de mim que estava nela me roubava de sua visão. Ela não se conformava:
- Sou cega de si, mas hei-de encontrar modos de lhe ver!
A vida é assim: peixe vivo, mas só vive no correr da água. Quem quer prender esse peixe tem que o matar. Só assim o possui em mão. Falo de tempo, falo de água. Os filhos se parecem com água andante, o irrecuperável curso do tempo. Um rio tem data de nascimento?"
 

Para falar de uma vila onde “acontecimento era coisa que nunca sucedia”, e que só “os factos são sobrenaturais”, Mia Couto parece tomado por um encantamento pela linguagem. Ele mistura num as culturas tradicionais africanas e a cultura ocidental, o português “colonizador” com as variantes dialetais da população moçambicana – há um glossário no final do livro.

Outros ingredientes são o uso de aforismos, desconstrução de provérbios e ditos populares (“contra os factos tudo são argumentos”). Mia Couto "desarranja" a linguagem, em muitos momentos a aproximar-se de Guimarães Rosa ("o motor nhenhenhou-se") ou, mesmo, da sintaxe do poeta Manoel de Barros, já na parte final do romance ("as sujidades se definitivam"), e da qual emerge a relação profunda entre o homem e a terra.

A tangência das margens do realismo fantástico latino-americano ou, como sugere Mia Couto, o "realismo animista", na expressão do angolano Pepetela. Há Temporina, com o rosto de velha e corpo de moça (mas que, em "flagrante de amor, juvenescia"); uma tia que, após morta, se transforma em louva-a-deus; um personagem que, quando toca em mulher, suas mãos aquecem até ficarem como “carvão aceso”; outro que, ao dormir, pendura os próprios ossos fora do corpo; determinados feitiços que faziam com que os enfeitiçados emagrecessem até ficarem do tamanho de formiga. Diante desses acontecimentos, resta ao italiano Massimo Risi, entre uma perplexidade e outra, temer pela veracidade do relatório que terá de entregar a seus superiores ("na capital, a sede da missão da ONU espera por notícias concretas, explicações plausíveis. E o que tinha ele esclarecido? Uma meia dúzia de estórias delirantes").

Às vezes, na obra, predomina o sarcasmo, às vezes o espírito crítico, outras vezes ambos. Quando, por exemplo, um pênis decepado é achado, chamam a prostituta Ana Deusqueira para “identificar o todo pela parte”. Ou, em outra cena, o administrador relata: “Na véspera de cada visita, nós todos, administradores, recebíamos a urgência: era preciso esconder os habitantes, varrer toda aquela pobreza”. Mais ironia: contratado para traduzir, o próprio tradutor é desnecessário. Quando ele se apresenta ao italiano, este comenta: “Eu posso falar e entender. Problema não é a língua. O que eu não entendo é esse mundo daqui”.

A narrativa é poética, carregada de lirismo. Entre várias seqüências, percebemos aquela em que Massimo Risi passa por um terreno minado como “Jesus se deslocou sobre as águas”. Podemos também acompanhar a mãe do tradutor desfiando a estória dos flamingos que empurravam o sol para que o dia chegasse ao outro lado do mundo.

Entendimento da obra

O mais interessante do livro, é poder conhecer a literatura africana. E tem personagens interessantes e muito engraçados, por exemplo Temporina que tem rosto de velha e corpo de jovem, e engravida pelo investigador estrangeiro em sonho.  Tem um personagem que ao tocar em mulher, suas mãos esquentam! Tia Hortênsia a qual morreu e virou Louva-à-deus, a mãe do narrador (eu lírico) que é cega apenas para o filho com o qual fica de mãos dadas esperando o último Flamingo voar nos finais de tarde. E esses tipos de acontecimentos, sobra para o italiano Massimo Risi esclarecer aos seus superiores os fatos concretos. Na obra também se pode perceber sarcasmo, um grande exemplo é quando se encontra o pênis decepado e chamam a prostituta Ana Deusqueira para identificar o “todo pela parte”, literalmente rs.
O autor faz uma crítica bem feita da guerra e a miséria que tomou conta de Moçambique - como mandar ajuda no território com a guerra terminada-, mas também uma boa história em que poesia e esperança dependem da capacidade narrativa de contar a própria história com vozes africanas. Só eles sabem que o vôo do flamingo faz o sol voltar.

Resumo da Obra .

           A obra começa assim: '' Um pênis é encontrado no meio da rua de Tizangara. Mas um soldado das Nações Unidas havia explodido e aquilo era a única coisa que restara dele.''
         A partir dessa descoberta chamam a prostituta da vila pra ajudar a identificar de quem era o pênis, pelo fato dela conhecer muitos. Dito isso ela chega a conclusão de que não é de nenhum homem da vila. O livro começa a ser desenvolvido a partir deste momento. Além de ser um crítico político ele é também um romance.
       Ao longo da história aparecem diversos personagens como o investigador enviado pela ONU, Massimo Risi, um italiano, para quem nosso narrador personagem vai servir de tradutor, a prostituta da cidade Ana Deusqueira e vários outros, trazendo humor irônico e debochando das autoridades de Tizangara . Esse romance narra estranhos acontecimentos de uma pequena vila imaginária, Tizangara, ao sul do país.

Obs.: O que mais me chama atenção nessa obra é que a população de Moçambique teve vários mortos durante o confronto, mas quando soldados da ONU começaram a desaparecer, começa o mistério morreram ou foram mortos? Imediatamente foi providenciado que fossem investigar o que estava se passando em Moçambique .
 Enfim, eu gostei muito de ter meu primeiro contato com uma obra africana . Eu me vi nas situações que se passava no livro e me esclareceu um pouco as dúvidas que  tinha sobre a cultura das nossas raízes .

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Um pouco do meu entendimento...

O livro O ultimo voo do flamingo escrito pelo moçambicano Mia Couto é uma narrativa fabular que tem grande força humanista pois trata sobre um período pós-guerra civil e independencia em Moçambique.O livro tem tambem uma parte humorista quando logo no começo fala sobre um pênis que é encontrado no meio da rua em Tinzagara que é de mais um soldado que explode e a única coisa que resta é aquela parte do corpo o que acaba criando um ar de misterio no livro pois varios corpos de soldados tambem começam a explodir.No decorrer do livro aparecem varios personagens como o administrador da vila Estevão Jonas,o feiticeiro Zeca Andorinho, a prostituta Ana Deusqueira entre outros.Percebi que esse livro uam hora é poetico outra ironico outra divertido o que acaba deixando a leitura melhor e o ar de suspense faz com que os leitores se interessem e queiram ler mais e mais.Mia Couto em seu livro propõe semear novamente o amor na terra,que ainda sofre com a falta de ternura e vontade politica dos governates.

Ler esse livro foi muito interessante pois logo no começo quando começa aparecer os suspenses me dava mais vontade de ler pra descobrir mais sobre o que acontecera com os soldados.Uma experiencia muito boa!!!

Por:Dominique Ferreira 
 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

trechos do "Último vôo do flamingo"

“O padre Muhando já falara contra esse preconceito. O pensamento do sacerdote ia direito no assunto: mulatos, não somos todos nós? Mas o povo, em Tizangara, não se queria reconhecer amulatado. Porque o ser negro – ter aquela raça – nos tinha sido passado como nossa única e última riqueza. E alguns de nós fabricavam sua identidade nesse ilusório espelho.”

“O inferno já não agüenta tantos demônios. Estamos a receber os excedentes aqui na Terra. Um gênero de deslocados do Inferno, está entender? E nós, os antigos revolucionários, fazemos parte desses excedentes.”

“Pássaros nenhuns não havia. Tudo em liso silêncio. Mas meu pai, só ele escutava o rouco grasnar dos flamingos. Dívida que ele tinha com as aves pernaltas. Os pescadores chamam-lhes os ‘salva-vidas’. No meio da noite, em plena tempestade, quando se perde noção da terra, é a presença e a voz dos flamingos que orienta os pescadores perdidos”.

“Viver é fácil. Até os mortos conseguem. Mas a vida é um peso que precisa ser carregado por todos os viventes.”
 

Jugando o livro pela capa.


        O livro mostra na sua capa uma imagem da vila ficitícia chamada Zangara , em seu fundo alaranjado  que dar aparência de um  pôr-do-sol ,há na capa a figura  de uma ave , um flamingo, voando em direção ao céu.
   Na ilustre obra de Mia couto, a mãe do tradutor (um dos  personagens) costumava cantar antes da sua morte todas as  tardes para que os flamingos aparecerem no fim da tarde e subissem empurrando o Sol para o outro lado do mundo, o fato de ser o ultimo voo do flamingo é que Moçambique passa por um périodo pós guerra .
   Esta metáfora criada por Mia Couto tem com o seu objetivo principal o recomeço,  a esperança de que cada vôo feito pelos flamingos  .A esperança de que acontecera nascer do Sol em algum lugar do mundo. A capa mostra o equilibrio entre o carnal e o espiritual , entre a terra e o céu,o autor  estabelecer este equilibrio e como ele mesmo diz : “é na margem desses mundos que tento a ilusão de uma costura”


                 Por: Rebeca Lorena Valença Gomes.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Autor




Antonio Emílio Leite Couto mais conhecido como Mia Couto, filho de Maria de Jesus e Fernando Couto, nasceu no dia 5 de julho de 1955 na cidade na Beira, em Moçambique.

Depois de um inicio de carreira na área do jornalismo consagrou também a literatura e é um dos principais escritores africanos comparado a outros grandes autores como Gabriel Garcia Márquez.

Mia Couto além de escritor é biólogo, ele fez alguns estudos secundários na Beira , tendo frequentado entre 1971 a 1974,fez também o curso de medicina em Lourenço Marques. Depois da Independência Nacional no ano de 1975, ele ingressou na atividade jornalistica e foi sucessivamente diretor de alguns órgãos de comunicação social. 

Mia couto abandonou a carreira jornalistica voltando a ingressar na universidade para terminar o curso de Biologia, para se especializar na área de Ecologia, ele é o único escritor africano que é membro da academia Brasileira de letras. O trabalho de Mia Couto permite comunicar aos seus leitores todo o drama da vida em Moçambique após a independência.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Contexto Histórico

Em 25 de junho de 1975, Moçambique livrou-se do domínio colonialista Português e foi aceito como membro da ONU (Organização das Nações Unidas). Tomando a frente de Libertação de Moçambique, A FRELIMO, responsável pelo futuro do povo moçambicano.

É instaurado, em 1977, o regime do partido único pelo partido operário e camponês de Moçambique, antigo FERIMO. Fazendo o estado testa de ferro do partido; assinando um tratado de amizade com a URSS, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (...); excluindo os opositores do sistema político adotado. Assim, surgiram os fatores à Guerra Civil, onde a RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana) era o adversário.

Após 1 Milhão de mortos e 1,7 Milhão de refugiados, e com o fim da URSS, Moçambique conseguiu instaurar um conturbado acordo de paz entre os cidadãos, durante o ano de 1992.

Em quinze anos de Guerra Civil foram plantadas 2 Milhões de minas terrestres no território moçambicano. Com o fim da Guerra Civil, a área rural tinha 123 dos 128 municípios de Moçambique comprometidos por minas terrestres. Sendo marcada na história de Moçambique a retirada de 1% do total dos explosivos. Na maioria das vezes plantadas em meio a plantações e a pastos, com o objetivo de levar homens, mulheres, crianças e idosos opositores do sistema político à prostação por falta de alimentos. Utilizando a tática do terror constate na vida do povo mais indefeso, o povo da roça, fazendo com que eles fornecessem mão de obra à Guerra do Povo.

 (Referência: UFBA VESTIBULAR 2012-2013 - Estudo Completo das Obras Literárias; Copyrigth © 2011, Anya Moura / Renato Dórea /  Zé Carlos Bastos)

 
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