quarta-feira, 26 de outubro de 2011

As Revelações


Nesse capitulo, o Italiano sai cedo com Temporina, para ir ao rio se despedir do padre Muhando e o tradutor vai à casa de Estêvão Jonas para avisar que o delegado da ONU se preparava para ir embora. Mas quando ele chega, ele vê uma confusão.  Estêvão Jonas, Chupanga e Ana Deusqueira, mas ninguém reparou  a presença dele. Estêvão Jonas estava segurando Ana Deusqueira por um braço,  empurrava ela contra a parede e a xingava, culpando-a pelas mortes dos soldados. Quando o rosto dela estava sangrando, o tradutor deixou-se ver, pensando em parar a violência para com a prostituta. Quando o administrador o vê, apronta-se em manda-lo sair, porém Ana Deusqueira revela que ele é o culpado pelas mortes dos soldados.
“ - És tu que estás a matar pessoas. És tu, Estêvão Jonas.”
Com isso, conclui-se o que estava acontecendo, o motivo de tantas explosões e tantas mortes: “Passava-se, afinal, o seguinte: parte das minas que se retiravam regressava, depois, ao mesmo chão. (...) No final da guerra restavam minas, sim. Umas tantas. Todavia, não era coisa que fizesse prolongar tanto os projetos de desminagem. O dinheiro desviado desses projetos era uma fonte de receita que os senhores locais não podiam dispensar. Foi o enteado do administrador quem urdiu a ideia: e se aldrabassem os números, inventassem infindáveis ameaças? Valia a pena. Plantavam-se e desplantavam-se minas. Umas mortes à mistura até calhavam, para dar mais crédito ao plano. Mas era gente anônima, no interior de uma nação africana que mal sustenta seu nome no mundo. Quem se ocuparia disso? "

Nesse trecho do livro, Mia Couto fala sobre as mortes que estavam acontecendo em Tizangara. Por serem pessoas de uma nação pobre, e africana não trariam repercussão nenhuma as suas mortes, poderiam morrer quantos fossem, a ONU não mandaria investigar e não daria importância a isso, como no inicio do livro, onde Ana Deusqueira ironiza sobre a ONU, que na época da guerra nunca mandou soldados para pacificar, mas quando a guerra acabou, enviou soldados para "manter a paz".
As mortes dos “capacetes azuis”, que eram os soldados da ONU prejudicou a trapaça, atraíram para Tizangara atenções indevidas. “A verdade das minas pedia provas de sangue. Mas sangue nacional. Nada de hemorragias transfronteiriças. Perante o transbordar do escândalo, o administrador chamou o feiticeiro e deu ordem para que aquilo terminasse de imediato. Mais nenhum soldado da ONU poderia desaparecer.”

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