O
Último Voo do Flamingo mistura a fantasia com a realidade, incluindo diversos
elementos da cultura de Moçambique, ditos e lendas, junto com personagens que
ironizam a situação, ao lado de um estrangeiro que tenta entender tudo que se
passa pela cidade de Tizangara (cidade fictícia). O autor Mia Couto, utiliza-se
de várias palavras provindas de Moçambique, dando ao leitor mais um motivo para
ficar imerso nesse livro.
O
contexto do livro é pós-guerra de independência, onde são mandados alguns
soldados da ONU para ‘manter a paz’; quando cinco deles explodem (situação
ironizada por Ana Deusqueira, visto que milhares de pessoas morreram na guerra,
e agora com a morte de apenas cinco pessoas, cria-se um estardalhaço), a ONU
envia Massimo Risi para descobrir a causa dessas explosões, junto a um
tradutor, que relata esta história.
Esse
livro chamou minha atenção logo em seu prefácio, mais precisamente no segundo
parágrafo deste, onde o Tradutor de Tizangara transcreve um pouco da sua
opinião sobre os acontecimentos:
“Estávamos nos primeiros anos do
pós-guerra e tudo parecia correr bem, contrariando as gerais expectativas de
que as violências não iriam nunca parar. Já tinham chegado os soldados das
Nações Unidas que vinham vigiar o processo de paz. Chegaram com a insolência de
qualquer militar. Eles, coitados, acreditavam ser donos de fronteiras, capazes
de fabricar concórdias.”
Em
conclusão, O Último Voo do Flamingo mostra-se misterioso e envolvente do começo
ao fim, sem perder seu lado crítico e com engajamento político; recomendo a
leitura deste para todos que gostam de literatura contemporânea, e humor
satírico de qualidade.

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