O ultimo voo do flamengo romance de Mia couto uma obra escrita depois da guerra de Independência e dos anos de guerrilha, onde Moçambique vivia um momento de reestruturação social e política.
Uma ficção sobre os tempos em que estiveram em Moçambique soldados da ONU integrados na missão de manutenção de paz. O romance narra estranhos acontecimentos de uma pequena vila imaginária, Tizangara, ao sul do país.
"Há aqueles que nascem com defeito. Eu nasci por defeito. Explico: no meu parto não me extraíram todo, por inteiro. Parte de mim ficou lá, grudada nas entranhas de minha mãe. Tanto isso aconteceu que ela não me alcançava ver: olhava e não me enxergava. Essa parte de mim que estava nela me roubava de sua visão. Ela não se conformava:
- Sou cega de si, mas hei-de encontrar modos de lhe ver!
A vida é assim: peixe vivo, mas só vive no correr da água. Quem quer prender esse peixe tem que o matar. Só assim o possui em mão. Falo de tempo, falo de água. Os filhos se parecem com água andante, o irrecuperável curso do tempo. Um rio tem data de nascimento?"
- Sou cega de si, mas hei-de encontrar modos de lhe ver!
A vida é assim: peixe vivo, mas só vive no correr da água. Quem quer prender esse peixe tem que o matar. Só assim o possui em mão. Falo de tempo, falo de água. Os filhos se parecem com água andante, o irrecuperável curso do tempo. Um rio tem data de nascimento?"
Para falar de uma vila onde “acontecimento era coisa que nunca sucedia”, e que só “os factos são sobrenaturais”, Mia Couto parece tomado por um encantamento pela linguagem.
O que me chamou muito atenção foi que na obra predomina muitas das vezes pelo menos 3 fatores o sarcasmo, às vezes o espírito crítico, outras vezes ambos.
Quando, por exemplo, um pênis decepado é achado, chamam a prostituta Ana Deusqueira para “identificar o todo pela parte”.

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